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4º Congresso Mundial de Tricoscopia: o que há de novo

4º Congresso Mundial de Tricoscopia: o que há de novo

Entre 29 de outubro e 1º de novembro, participei do 4º Congresso Mundial de Tricoscopia, no Centro de Convenções Windsor Oceânico, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O evento é organizado pela International Trichoscopy Society, e a presidência desta edição ficou com o dermatologista brasileiro Rodrigo Pirmez.

Foram dias de aulas, discussão de casos e atualização sobre diagnóstico e tratamento das doenças do cabelo. Por isso, neste texto reúno o que considero mais útil para quem convive com a queda de cabelo e quer entender como a tricologia evolui. É um panorama educativo: o tratamento de cada pessoa só pode ser definido pelo médico, depois de uma avaliação individual.

Está com queda de cabelo, afinamento ou falhas no couro cabeludo?

Conheça a tricoscopia, exame que ajuda a entender a causa antes de qualquer tratamento.

O que é tricoscopia e por que o Congresso Mundial de Tricoscopia é dedicado a ela?

Tricoscopia é a dermatoscopia do couro cabeludo: um exame sem dor e sem cortes, em que o médico usa um aparelho com lente de aumento para enxergar a pele e os fios em detalhe. Em outras palavras, é como uma lupa de joalheiro: o que passa despercebido a olho nu aparece com clareza.

Além disso, esse exame ajuda a diferenciar tipos de queda de cabelo que, por fora, parecem iguais. Na prática, é comum o paciente chegar dizendo que “o cabelo está afinando” e a imagem ampliada mostrar causas bem diferentes, que pedem condutas diferentes. Por isso, diagnosticar bem vem antes de tratar.

Quem esteve no palco do Congresso Mundial de Tricoscopia

O congresso reuniu médicos de vários países, nomes de referência internacional em tricologia e dermatologia. Entre os palestrantes que acompanhei, estavam:

Alguns dos palestrantes e seus países de atuação:

  • Lidia Rudnicka, Polônia.
  • Antonella Tosti, Estados Unidos.
  • Jerry Shapiro, Estados Unidos.
  • Natasha Mesinkovska, Estados Unidos.
  • Crystal Aguh, Estados Unidos.
  • David Saceda-Corralo, Espanha.
  • Juan Jiménez-Cauhe, Espanha.
  • Asmahane Souissi, Tunísia.
  • Adriana Rakowska, Polônia.

Em suma, ver lado a lado médicos de tantas escolas diferentes lembra uma coisa simples: a tricologia se constrói em conjunto, com troca constante entre países.

Antonella Tosti, dos Estados Unidos, apresentada no telão do 4º Congresso Mundial de Tricoscopia
Antonella Tosti · Estados Unidos
Jerry Shapiro, dos Estados Unidos, apresentado no telão do 4º Congresso Mundial de Tricoscopia
Jerry Shapiro · Estados Unidos
Natasha Mesinkovska, dos Estados Unidos, apresentada no telão do evento
Natasha Mesinkovska · Estados Unidos
Crystal Aguh, dos Estados Unidos, apresentada no telão do evento
Crystal Aguh · Estados Unidos
Asmahane Souissi, da Tunísia, apresentada no telão do evento
Asmahane Souissi · Tunísia
Adriana Rakowska, da Polônia, apresentada no telão do evento
Adriana Rakowska · Polônia

Alopecia androgenética: o que o Congresso Mundial de Tricoscopia discutiu

Primeiro, a alopecia androgenética, a calvície comum de homens e mulheres, esteve na programação com debates sobre o manejo da doença, o uso do minoxidil por via oral e a segurança dos medicamentos que bloqueiam a enzima 5-alfa-redutase.

Assim, o minoxidil oral em baixa dose é um bom exemplo de como o conhecimento evolui. Seu uso para queda de cabelo é considerado off-label, ou seja, fora da indicação de bula, e no Brasil costuma ser manipulado em farmácia. Por exemplo, um estudo randomizado brasileiro, publicado em 2024 no JAMA Dermatology, comparou 5 mg por via oral com o minoxidil tópico a 5% em homens, ao longo de 24 semanas, e encontrou resultados semelhantes entre os dois. Além disso, os efeitos mais comuns foram aumento de pelos no corpo e dor de cabeça.

No entanto, isso não significa que sirva para todo mundo. Por isso, cabe ao médico avaliar pressão, coração e outros medicamentos em uso antes de indicar, e acompanhar a resposta. Afinal, genética, padrão de queda e reação de cada pessoa continuam sendo o fio condutor: não existe um protocolo único.

Abertura da apresentação Hair Counts: Turning Numbers into Precision, de Jerry Shapiro, da NYU Grossman School of Medicine
Jerry Shapiro (NYU Grossman School of Medicine, Estados Unidos) apresentou “Hair Counts: Turning Numbers into Precision”

O título dessa palestra, em tradução livre “contagem de fios: transformando números em precisão”, resume uma boa prática da área: acompanhar o cabelo com medidas objetivas, e não apenas pela impressão de quem olha, ajuda a saber se um tratamento está funcionando ou precisa ser ajustado.

Alopecia areata: os inibidores de JAK

Em seguida, na alopecia areata, doença autoimune em que o sistema de defesa ataca os folículos e provoca falhas no couro cabeludo, a programação trouxe os inibidores de JAK, medicamentos que atuam em uma via de sinalização do sistema imunológico. Houve, inclusive, um curso dedicado ao tema.

Além disso, no Brasil, a Anvisa já aprovou medicamentos dessa classe para alopecia areata grave: o ritlecitinibe, em janeiro de 2024, para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, e o baricitinibe, para adultos. No entanto, são remédios de uso restrito, com critérios de indicação e triagem antes de começar, como a investigação de infecções, e exigem acompanhamento médico próximo. A resposta varia de pessoa para pessoa, e os casos leves e moderados seguem sendo conduzidos com outras estratégias, escolhidas pelo médico.

Alopecias cicatriciais: diagnosticar cedo faz diferença

Por fim, nas alopecias cicatriciais, o folículo é destruído e substituído por cicatriz. O fio perdido, por isso, não volta. Assim, o objetivo do tratamento é frear a inflamação o quanto antes, para preservar os folículos que ainda estão ativos. É por isso que a tricoscopia pesa tanto: ela mostra sinais de atividade que o exame a olho nu não revela. Também vi comparações de imagens feitas com luz polarizada e não polarizada, usadas para reconhecer sinais como a descamação ao redor dos folículos, característica do líquen plano pilar.

A alopecia frontal fibrosante, que faz a linha do cabelo recuar na testa, teve espaço próprio. A dermatologista Lidia Rudnicka, da Polônia, apresentou “My approach to Frontal Fibrosing Alopecia”, em tradução livre “minha abordagem da alopecia frontal fibrosante”. Já David Saceda-Corralo, do Hospital Ramón y Cajal, na Espanha, falou sobre a genética dessa doença.

Lidia Rudnicka, da Polônia, apresentando My approach to Frontal Fibrosing Alopecia
Lidia Rudnicka · Polônia · “My approach to Frontal Fibrosing Alopecia”
David Saceda-Corralo, do Hospital Ramón y Cajal, na Espanha, apresentando Genetics in frontal fibrosing alopecia
David Saceda-Corralo · Hospital Ramón y Cajal · Espanha · “Genetics in frontal fibrosing alopecia”

Outro ponto da programação foi a discussão de novas formas de classificar as alopecias cicatriciais primárias. Parece algo burocrático, mas não é: quando médicos de países diferentes passam a falar a mesma língua, fica mais fácil comparar estudos e aprender uns com os outros. Para saber mais sobre o assunto, veja também o nosso texto sobre a alopecia fibrosante frontal e a página sobre alopecias cicatriciais.

Por que o médico precisa continuar estudando

Em uma área em que remédios novos são aprovados, classificações mudam e técnicas de diagnóstico ficam mais precisas, parar de estudar não é, portanto, uma opção. Pense, por exemplo, em um piloto que treina em simulador todos os anos, mesmo voando há décadas: a experiência importa, mas o que se sabe hoje precisa ser revisto sempre.

Estudar continuamente serve a dois propósitos. O primeiro é incorporar o que já tem evidência sólida e pode ajudar o paciente. O segundo, igualmente importante, é ter segurança para não aderir a modismos que ainda não foram bem testados. Por isso, um congresso desse porte, com médicos de tantos países, ajuda nos dois.

O que o Congresso Mundial de Tricoscopia significa para quem tem queda de cabelo

Se o cabelo está caindo, afinando ou surgiram falhas, vale investigar sem esperar. Pois cada tipo de alopecia tem causa, evolução e tratamento diferentes, e o diagnóstico correto é o primeiro passo. Se quiser entender melhor os dois quadros mais comuns, veja os textos sobre calvície masculina e sobre alopecia areata.

Na consulta, o plano é combinado com você, com informações claras sobre benefícios, limites e riscos. Ainda assim, nenhum tratamento garante resultado, e a resposta varia de pessoa para pessoa. Se quiser conversar sobre o seu caso, fale pelo WhatsApp.

Perguntas frequentes sobre o congresso mundial de tricoscopia

O que é tricoscopia?

É o exame que amplia o couro cabeludo e os fios com um dermatoscópio. Além disso, é feito sem dor e sem cortes, e ajuda o médico a diferenciar os tipos de queda de cabelo e a acompanhar a evolução.

Existe medicamento aprovado no Brasil para alopecia areata grave?

Sim. A Anvisa aprovou o ritlecitinibe, em janeiro de 2024, para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, e o baricitinibe, para adultos. Porém, são indicados apenas em casos graves, depois de avaliação e triagem pelo médico, e exigem acompanhamento próximo.

O minoxidil oral é seguro?

Depende de cada pessoa. É usado fora da indicação de bula para queda de cabelo, costuma ser manipulado e pode causar efeitos como aumento de pelos no corpo e dor de cabeça. Por isso, só deve ser usado com indicação e acompanhamento médico, depois de avaliar pressão, coração e outros medicamentos.

Na alopecia cicatricial, os fios perdidos voltam?

Quando o folículo é destruído e vira cicatriz, o fio daquele local não volta. O tratamento busca controlar a inflamação para preservar os folículos que ainda estão ativos, e por isso o diagnóstico precoce é tão importante.

Tricologista é médico?

Depende de quem atende. O médico que atua em tricologia tem formação em medicina e pode diagnosticar, investigar causas e indicar tratamento. Veja o texto Tricologista é médico? para entender o que muda na consulta.

Escrito por Dr. Éric Aguiar, médico (CRM-RJ 123519-2), com atuação em tricologia e cirurgia de transplante capilar. Participou do 4º Congresso Mundial de Tricoscopia, no Rio de Janeiro, em outubro de 2026.

Fontes consultadas: página oficial do 4th World Congress of Trichoscopy; programação divulgada pela Afya; aprovação do ritlecitinibe pela Anvisa (CFF); estudo brasileiro sobre minoxidil oral e tópico (Practical Dermatology).


Diretor técnico: Dr. Éric Aguiar · Médico · CRM-RJ 123519-2
Ipanema: Rua Visconde de Pirajá, 303, 9º andar, CEP 22410-001
Barra da Tijuca: Av. das Américas, 2480, Bloco 01, Sala 203, CEP 22640-101
WhatsApp: (21) 97189-3078
Segunda a sexta, 8h às 22h; sábado, 8h às 15h.

Conteúdo de caráter exclusivamente informativo e educativo, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. As informações apresentadas não substituem a consulta médica, o diagnóstico e o tratamento com profissional habilitado, e não devem ser usadas para autodiagnóstico, automedicação ou autotratamento. Cada organismo responde de forma diferente: este conteúdo não representa promessa ou garantia de resultado. Algumas pessoas têm contraindicações aos medicamentos citados de forma educativa, entre elas gestantes e lactantes. Em caso de dúvida, procure orientação médica presencial.

Regiões atendidas:
Zona Sul (consultório de Ipanema): Ipanema, Leblon, Gávea, Copacabana, Botafogo, Flamengo, Catete, Glória e Largo do Machado.
Barra da Tijuca e Zona Oeste (consultório da Barra da Tijuca): Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Taquara, Freguesia, Itanhangá, Vargem Grande e Vargem Pequena.
Centro e Zona Norte (costumam escolher qualquer um dos dois consultórios): Centro, Tijuca, Vila Isabel, Grajaú e Méier.

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